sexta-feira, 25 de junho de 2010

O CANTO CORAL

Abaixo um ótimo texto que li certa vez sobre o Canto Coral, uma das mais prazeirosas atividades musicais!

Eu tenho o privilégio de ter participado e participar atualmente de grupos de muita qualidade (Coral da Varig, Coral do Conservatório Musical do Butantã e Coral da Associação da Cidade de SP), onde a cada ensaio aprendo mais e mais, e onde pude conhecer pessoas especiais.

Cantar em um coral é viver música e viver amizades!

Edu.

“O canto em grupo é provavelmente um dos maiores exercícios de convívio social. Quando se canta em grupo, aprende-se harmonia, equilíbrio, domínio de si mesmo, trabalho em equipe e, acima de tudo, respeito pelo outro. Além de todos esses fatores, cantar é extremamente lúdico e prazeiroso.


Cantar envolve fatores orgânicos, psicólogicos e técnicos. Um coral é composto por indivíduos dotados de vozes com características diversas e, embora muitas delas se encontrem na mesma categoria, existem diferenças determinadas por nuances acústicas, o que pode torná-las completamente desiguais. Cabe ao regente conciliar e harmonizar estas vozes dentro do grupo coral, buscando uma identidade sonora sem discrepâncias, com qualidade artística equilibrada.

Imagina-se que a prática do canto em grupo seja tão antiga quanto o desenvolvimento da linguagem articulada. O homem primitivo já usava o canto para se alegrar, exprimir seu pesar , avisar os outros de um perigo e para acalmar os poderes superiores.

Cantar faz bem para o corpo e para a alma e, com razão, o provérbio diz “Quem canta seus males espanta!”. Observa-se comumente que os bebês modulam suas vozes quando estão felizes, entoando as suas primeiras ‘composições’ para alegria e satisfação dos pais. Indivíduos de todas as culturas cantam com diferentes finalidades, e até mesmo quando se está sozinho ou nos casos de loucura, observa-se o canto como uma manifestação humana.

Cantar em coro exige alguns pré-requisitos. O resultado vocal deve apresentar uma boa sonoridade para agradar e transmitir a essência da música e, neste sentido, a educação e a preparação vocal ajudam a conduzir o coro a sua própria identidade. O artista cantor, por sua vez, necessita amparar a voz e defendê-la de tudo que possa danificá-la. Comportamentos nocivos podem levar a um desgaste vocal e, com isso, a voz pode ficar comprometida de modo definitivo.

Temos tido o prazer de, ao longo de nossa carreira clínica e científica, conhecer e trabalhar com corais dos mais variados estilos e naturezas. A riqueza deste trabalho faz-se já no contato com os inegrantes desses grupos, pessoas que dedicam tempo de seu dia-a-dia para desenvolver a voz cantada e levar alegria e emoção a quem os escuta, na maior parte das vezes , sem nenhuma remuneração.

Infelizmente a realidade brasileira não estimula tais práticas, apesar de sermos um país tão musical. Por outro lado, os fonoaudiólogos, que estudam a comunicação humana e seus distúrbios, também não têm dedicado tempo suficiente a esta área, o que se reflete na falta de literatura, principalmente aquela direcionada ao cantor.

(...) Conhecer a própria voz é descobrir uma das funções mais fantásticas do corpo humano.”

(Mara Behlau/Maria Inês Rehder)

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Cantor Perfeito

Faz um tempo li um artigo do colunista da Folha de São Paulo, Ruy Castro, e achei pertinente ao blog voltar a este artigo, expressar minha opinião e falarmos sobre a questão da perfeição.

Primeiro, leia abaixo:

Folha de São Paulo
Sábado, 5 de Junho 2010
RUY CASTRO

Proibido não ser perfeito

RIO DE JANEIRO - No sábado último, em belo artigo, o Caderno 2 do "Estado" anunciou "A morte da voz humana". Nenhum exagero no título. O Auto-Tune -o software que "corrige" a afinação dos cantores- está criando padrões de perfeição inatingíveis para humanos, oferecendo a recompensa sem esforço e tornando dispensáveis a vocação, o talento e o mérito na música popular. "É como se Ronaldinho Gaúcho usasse uma chuteira que acertasse o gol por si. Treinar pra quê?", pergunta o autor.

O grito foi dado por quem tem toda autoridade para fazê-lo: João Marcello Bôscoli, 40 anos, músico, produtor e diretor de gravadora. Como se não bastasse, filho de Elis Regina e do compositor Ronaldo Bôscoli, um dos criadores da bossa nova, e que teve como padrasto o pianista César Camargo Mariano, com quem Elis se casou ao se separar de Bôscoli. Nunca houve gente mais exigente em música.

Para João Marcello, pior até do que dar afinação a quem não tem, o Auto-Tune está fazendo com a voz o que o Photoshop fez com a pele humana. Assim como o Photoshop "gerou um padrão estético onde poros, rugas de expressão, pelos e outras características se tornaram defeitos", o Auto-Tune passa o rodo e "corrige" tudo o que considera imperfeito no cantor: afinação, respiração, pausas, volume, alcance -sem se importar se pertencem à sua expressão e emoção.

Ele vai mais longe: "Hoje em dia tomamos remédio quando sentimos tristeza, comemos lixo pré-mastigado quando temos fome, dopamos as crianças quando estão agitadas, passamos horas no computador quando nossa vida parece desinteressante" etc. -e "usamos softwares de afinação quando temos um cantor desafinado".

O filho da cantora mais afinada do Brasil defende os desafinados no que eles têm de mais precioso: sua falível condição humana, essencial à obra de arte.

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Ontem eu estava conversando com a minha professora de canto, a Vanessa Nunes, que já citei aqui outra vez, sobre a apresentação do conservatório nesse domingo. Eu queria saber quais músicas meus colegas iriam cantar, e eis minha surpresa quando ela me contou que pouquíssimos alunos dela irão se apresentar no domingo.

Claro que cada um é cada um, devemos respeitar a personalidade tímida das pessoas, a insegurança dos que estão começando. Mas com certeza absoluta o fator que reforça a idéia de que só se pode cantar em público quando estiver seguro de que vai cantar certo é reflexo dessa perfeição computadorizada que a mídia nos enfia goela abaixo como “normal”.

E quem gosta de cantar, está aprendendo, começando ou se aperfeiçoando sofre preconceito dos dois lados. Dele mesmo, que acha que tem que alcançar um nível sobre-humano de afinação, e sofre também de quem ouve, que espera de você essa perfeição sobre-humana.

Uma dica que aprendi e acredito que seja útil compartilhar (e mais uma vez um lembrete a mim mesma) é: permita-se errar! O importante é você se emocionar, transmitir a emoção pra quem estiver te prestigiando, curtir a música e o momento.

E a dica para você ouvinte: seja compreensivo! Cantar não é tão fácil quanto parece ser.

Escrevi no twitter outro dia um desabafo justamente a respeito disso: Música ao vivo de verdade é música de ser humano, não de software. O ser humano é falível. A imperfeição só torna o cantor mais humano.

Beijos,
Adriana

terça-feira, 22 de junho de 2010

Sons distintos e simultâneos

É um nome um tanto diferente mas, acho que resume algo que eu considero espetacular no estudo musical. Eu sou completamente vidrado em sons diferentes (notas) que são tocados ao mesmo tempo. É tão gostoso estudar isso que vou escrever esse post com um linguajar simples de modo a fazer com que pessoas que não estudam música, entenderem muitos conceitos sobre esse assunto.

O que primeiramente podemos entender é a diferença entre Melodia e harmonia. Isso com certeza você que não estuda música já ouviu falar várias vezes por ai. Mas esqueça esses nomes complicados pare para pensar comigo. Você já ouviu um piano, e sabe que se você apertar aquelas teclas uma de cada vez você ouvira um único som. Uma única nota. Um cantor quando canta ele emite uma nota de cada vez. Pronto! Você já sabe o que MELODIA. Melodia é uma sequência de notas tocadas por um instrumento solista, geralmente a voz. Ok agora é fácil, a harmonia é o acompanhamento da melodia que é tocada geralmente com acordes.

Calma, mais um nome que você deve ter ouvido falar várias vezes por ai porém é fácil entender o que é um acorde. Voltamos ao piano, no primeiro exemplo eu pedi que você se imaginasse tocando uma tecla de cada vez do piano. Agora eu quero que você imagine-se tocando umas 3 teclas desse piano juntas (simultaneamente), o som que você ouvirá é um acorde. É claro que existem regras para saber quais teclas tocar juntas mas o conceito de um acorde é esse. Pra tentar explicar de forma bem sucinta como funciona uma dessas regras, vou pedir pra você lembrar das notas musicas.

Dó Ré Mi Fá Sol Lá Si.

Acabei de dar nome a uma sequência de teclinhas (as brancas) do seu piano imaginário e com certeza você já escutou essa musiquinha.

Dó ré mi fá, fá fá
Dó ré do ré, ré ré
Dó sol fá mi, mi mi
Dó ré mi fá, fa fa

Pronto quando, e se, você tiver oportunidade de tocar um piano, sinta-se a vontade e execute a sua primeira melodia. Mas antes localize corretamente pela imagem o Dó do seu piano.




E voltemos ao foco, quero explicar a você uma das regras para a formação de um acorde. Vamos dar nome a ele, é a regra do acorde maior que é formada por uma tríade. Mais um nome louco, mas tríade lembra 3 (três) não? É exatamente isso! Então vamos refazer a frase, o acorde maior é formado por TRÊS notas tocadas simultaneamente. Essa tríade é formada pelo 1º, 3º e 5º grau. Veja a tabela:


I II III VI V VI VII VII
Dó Ré Mi Fá Sol Lá Si Dó


Teremos então Dó, Mi e Sol. Portanto se você tocar essas três notas simultaneamente você estará tocando o acorde maior de Dó. Você verá que é um som alegre gostoso de se ouvir, soará muito melhor do que se você tivesse escolhido qualquer outras notas sem regra nenhuma.

Portanto agora posso voltar ao início do post quando falei de sons distintos, ou seja, notas diferentes tocadas simultaneamente. É muito bonito de se ouvir elas causam sentimentos a quem ouve. Se você quiser se avançar um pouco entenda os acordes menores e veja que eles causam seriedade, tensão, frieza quando tocados. E é isso que me fascina, esses sentimentos causados por sons simultâneos. Podemos ver mais exemplos disso, quando um instrumento acompanha outro, os dois não necessariamente estão fazendo as mesmas notas. Agora o exemplo que mais me fascina é ouvir isso em um coral de vozes. Podemos ver que um coral quando executa uma peça podem ocorre a situações onde o naipe do Baixo está fazendo , os tenores estão fazendo a nota e os sopranos a nota Sol, tendo aí um acorde de Dó maior o que é maravilhoso de se ouvir. Faça um teste, você com dois colegas e a ajuda de um instrumento, peça que cada um memorize uma dassas notas e cantem simultaneamente, vocês vão se surpreender com o resultado. Essa é a base do conhecimento para que dois cantores faça um dueto, a primeira e a segunda voz podem seguir a regra que acabamos de ver. Regra que se estende a um diversidade incrível que, no meu ponto de vista, é muito prazeroso estudar e tomar conhecimento.

Aproveitando o gancho de estudo musical, gostaria de contar um fato recente. Fui a uma viagem com alguns amigos e na chácara onde ficamos existia um piano, todos se sentaram ali e fizeram alguns sons e quando eu me sentei, coloquei em prática alguns desses conhecimentos, a maioria deles eu coloquei aqui nesse post, e quando eu executei sons ali,a s pessoas achavam que eu já sabia tocar piano, e eu nunca toquei um piano. Por isso acho muito gostoso estudar e apreciar a música, e acho que ela parece complexa, mas quando você gosta, tudo fica mais fácil.

Bom acho que por hoje é só ...

Abraços
Léo

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Aquecimento Vocal

Eu adoro vocalises. Existem centenas de tipos e cada um nos faz aprimorar uma técnica diferente. No final dos exercícios nossa voz fica quentinha, o diafragma esperto, e nossa voz fica brilhando quando cantamos.

Mas se você não estuda canto e acaba ouvindo um aluno de canto estudando, pode jurar por tudo que é sagrado, que existe algum maluco à solta. Ou que abriram a porta do galinheiro ao ouvir tantos “pó-pó”, ou que tem algum gato doido a solta ao ouvir diversos “mi-mi”. Eu lembro quando comecei a fazer aulas de canto, o quanto que era engraçado os exercícios vocais. Eu caia na risada antes, durante e depois, mas hoje eu trabalho os vocalises com mais seriedade, apesar da minha professora inventar alguns que são hilários.

É importantíssimo aquecer a voz antes de cantar. E “desaquecer” depois também é uma proteção pra suas pregas vocais. Sair cantando do nada pode fazer você ficar rouco, sem voz, cansado no final da atividade. E a vida útil da sua voz pode diminuir se você não cuidar dela direito.

Veja a Hayley Williams – vocalista da banda Paramore – fazendo alguns vocalises e o professor a instruindo:



O “coach” dela é o professor de canto das celebridades nos Estados Unidos, Brett Manning (site http://www.singingsuccess.com/). Estrelas pop do mundo jovem como Miley Cyrus, Taylor Swift e outras já foram (ou ainda são) suas pupilas. Nesse vídeo abaixo ele fala da importância do aquecimento vocal, e dá algumas dicas pra você aquecer a voz em casa, e como não forçar sua voz. Desculpe, não achei versão do vídeo com legenda em português! Mas resumindo a idéia do vídeo, é sermos gentis com nossa voz, permitindo que sua voz se aqueça, e não a force nunca.


Agora, quer ver um vocalise realmente impressionante? Se liga nessa soprano usando técnica de lírico!




Beijos,
Adriana
@drixguimaraes